RESILIÊNCIA E OPORTUNIDADE: COMO A SRA. GINA TRANSFORMOU SUA VIDA E A DA SUA FAMILIA
Gina Ussene Lima nasceu numa pequena aldeia na comunidade de Cabula , distrito de Larde onde viveu durante toda a sua infância.
Já na fase adulta se mudou para Tibane que dista a 3 km de Cabula. A sua casa, feita de barro e coberta de capim, era o símbolo de uma vida de limitações, mas também de resiliência. Com o marido e cinco filhos, Gina sustentava a família através da agricultura — cultivando e vendendo mandioca, amendoim e feijões. Apesar dos seus esforços, a renda da família raramente ultrapassava 7.500 meticais por cada colheita, valor insuficiente para satisfazer as necessidades básicas da família e dar aos filhos um futuro melhor.
Em 2008, a vida da Gina tomou um rumo inesperado. Através de uma iniciativa de geração de renda da KMAD, Gina e mais cinco mulheres receberam um financiamento de mais de 14.000 MZN e treinamento em costura. Com máquinas à disposição e um novo propósito, o grupo começou a produzir sacos para as amostras da Kenmare, conquistando um mercado fixo e seguro. Em menos de um ano, elas pagaram o empréstimo — uma conquista que marcou o início de uma nova fase em suas vidas.
Actualmente, o negócio de costura garante a Gina e suas parceiras uma renda mensal que varia entre 100.000 e 130.000 MZN. Com esta renda, Gina transformou a sua vida e a da sua família. Ela não somente construiu três casas de alvenaria, proporcionando segurança e dignidade para todos, como também investiu numa grande machamba de seis hectares, garantindo a segurança alimentar da família e ampliando as suas colheitas.
Mas talvez a maior conquista da Gina esteja nos sonhos que conseguiu materializar para os seus filhos. Com os ganhos da costura, ela custeou os estudos de três deles, que agora frequentam o ensino básico e médio, abrindolhes portas que ela própria nunca teve. Cada casa construída, cada colheita, e cada novo caderno comprado para os seus filhos representa uma vitória na sua jornada de superação. Hoje, Gina é muito mais que uma agricultora ou costureira — ela é símbolo de esperança e transformação na sua comunidade.
Ibraimo Momade, de 53 anos de idade, é um homem casado e pai de cinco filhos. Reside no distrito de Moma, Província de Nampula, mais concretamente na Localidade de Pilivili.
Com uma experência de mais de três décadas na área de negócios, a trajectória de Ibraimo foi marcada por testes, erros, altos e baixos, ao se aventurar em diferentes actividades económicas: desde a venda de combustível e roupas de segunda mão à comercialização de diversos produtos. Mas foi no ramo de alimentos que ele encontrou a sua verdadeira vocação e, aos poucos, foi conquistando um lugar de destaque em Pilivili.
O programa de apoio aos pequenos negócios da KMAD concedeu a “Ibraimo”, como é conhecido e ao seu irmão Murgiua Momade, um empréstimo de 500 mil MZN. Ibraimo e Muriua complementaram este empréstimo com outros 500.000 MZN de fundos próprios.
Com este capital, os dois irmãos ampliaram o seu negócio de venda de produtos alimentares e, em apenas três anos, conseguiram pagar o empréstimo concedido pela KMAD. Mas Ibraimo e Murgiua não param por aí. Juntos, transformaram seu negócio de venda a retalho num negócio de venda a grosso, ganhando espaço não apenas em Pilivili, mas em várias localidades circunvizinhas.
Este crescimento não foi apenas um reflexo do sucesso financeiro, mas também uma prova da sua dedicação e trabalho árduo para a satisfação das necessidades da sua comunidade. O negócio tornou-se uma sólida fonte de renda, proporcionando-lhes uma receita média mensal de cerca de 300.000 MZN. Com este retorno, investiram na construção do seu próprio armazém, financiaram a educação dos seus filhos e apoiaram os pais, assegurando a sua saúde e bem-estar.
Mas a história de Ibraimo e Murgiua não termina por aí. Em busca de novas oportunidades, recentemente, os dois receberam um novo financiamento da KMAD, desta vez no valor de 750.000,00 MZN. Estes complementaram o montante com mais 400.000,00 MZN, prontos para mais um passo em direcção ao futuro. Com este novo capital, a dupla já tem planos ambiciosos: construir um outro estabelecimento comercial e expandir as suas actividades para satisfazer ainda mais a demanda da comunidade local, oferecendo uma maior gama de produtos e serviços.
O Laboratório de Análises Clínicas do Centro de Saúde de Topuito é um dos mais recentes investimentos da KMAD na zona de influência mineira, com impacto directo na melhoria dos serviços de saúde para uma população de mais de 20 mil habitantes.
Após a sua construção em 2012, o Centro de Saúde de Topuito, local onde foi construido o Laboratório, dispunha essencialmente de duas infraestruturas de atendimento: um edifício para consultas externas e um edifício para maternidade. No entanto, durante o processo da elaboração do plano estratégico 2019/2021, a comunidade local, solicitou a construção de uma nova maternidade, visando proporcionar maior comodidade e conforto às mulheres gestantes.
Com a construção da nova maternidade, o espaço da antiga, ficou desocupado e neste contexto, a KMAD atendeu ao pedido do Governo do Distrito de Larde para transformar o edifício num laboratório de análises clínicas, com o objectivo de suprir a demanda crescente pelos serviços laboratoriais ao nível da localidade de Topuito.
Antes da criação do laboratório, muitos pacientes eram transferidos para o hospital distrital de Moma, que dista há mais de 80 km de Topuito.
Segundo Domingos Waite, Director do Centro de Saúde de Topuito, parte significativa dessas transferências envolvia mulheres com complicações graves de hemorragias antes, durante ou após o parto. Estas situações geralmente necessitavam de transferências urgentes, e, em alguns casos, resultavam em fatalidades.
Equipado com tecnologia de ponta, o laboratório conta com equipamentos que, nem o hospital de referência possui. Como resultado, em certas situações, o Centro de Saúde de Larde envia amostras para serem analisadas no labotório de Topuito.
O laboratório pode realizar exames como hemograma completo e bioquimica. Também tem a capacidade de armazenar reservas de sangue doado, um recurso importante para situações de emergências.
A construção do laboratório não só contribuiupara a melhoria dos serviços de saúde disponíveis para a comunidade local, como também tornou-se um ponto de referência para a região, reduzindo as transferências para outros centros de saúde e recebendo transferências do Centro de Saúde de Larde e outros Centros de Saúde próximos.
Mucaija Selemane, uma mulher de 63 anos de idade, mãe dedicada de nove filhos, sempre enfrentou com coragem as dificuldades de viver numa área de expansão em Pilivili.
Durante anos, a sua rotina incluía uma jornada árdua: caminhar diariamente mais de dois quilómetros com outras mulheres da comunidade até a zona baixa da aldeia em busca de água. Debaixo do sol escaldante, carregavam baldes pesados com a única água disponível — geralmente turva e imprópria, mas essencial para beber, cozinhar e lavar. Cada balde pesava não somente nos braços, mas também na saúde da sua família uma vez que a água contaminada trazia doenças que afectavam todos ao seu redor.
Esta luta diária, incansável e exaustiva, marcou profundamente a vida de Mucaija e da sua comunidade, até que um projecto da KMAD trouxe a esperança que ela jamais imaginou. Num esforço para transformar a realidade local, a KMAD construiu um sistema de abastecimento de água com um reservatório com capacidade de 20 mil litros e sete fontanários públicos, estrategicamente espalhados pela comunidade, incluindo zonas de expansão.Pela primeira vez, a água limpa e segura chegou até as casas, com a possibilidade de ligações domésticas, como a de Mucaija Selemane.
Para Mucaija, essa mudança foi uma verdadeira transformação. O simples acto de abrir a torneira de casa, sem necessidade de caminhar quilómetros, trouxe não somente um alívio físico, mas um sentimento profundo de dignidade e segurança. Seus filhos agora têm água limpa à sua disposição, o que significa mais saúde e menos preocupação com as doenças que antes a atormentavam. Além disso, o tempo que antes gastava em longas caminhadas em busca de água, Mucaija agora dedica esse tempo ao seu pequeno negócio de produção de maheu, uma bebida tradicional não alcoólica que, com a sua dedicação, se tornou a base do sustento da família.
Hoje, Mucaija olha para a torneira em sua casa como um símbolo de mudança. Ela conseguiu transformar a sua realidade e a da sua família, trocando o peso de diariamente buscar água pela alegria de prover um sustento digno e saudável.